Um grupo de 26 empresários gráficos brasileiros participou da caravana organizada pela Abigraf Nacional à All in Print China 2026, realizada de 12 a 16 de outubro em Xangai. Segundo a entidade, a delegação voltou com a avaliação de que os avanços tecnológicos vistos na feira terão grande impacto na indústria de impressão nos próximos anos. O balanço foi divulgado pela Abigraf na última sexta-feira (23).
A feira, que chegou à sua 10ª edição, reuniu soluções para transformação digital, inteligência artificial e automação de processos produtivos, apresentadas por grandes fornecedores do setor.
Flexo, inkjet e acabamento
Para Julião Gaúna, presidente da Abigraf Nacional, que acompanhou o grupo, o principal destaque foi a evolução da impressão digital inkjet e da automação. "Foi uma oportunidade de conhecermos tecnologias e soluções inovadoras que apontam, cada vez mais, para a automação de processos, a evolução dos equipamentos inkjet, principalmente com alimentação por bobina, impressoras flexográficas para rótulos, etiquetas e embalagens, e sistemas de acabamento automatizados para corte e vinco", afirmou.
Segundo Gaúna, outro ponto forte da feira foi a procura por tecnologias que aumentem a produtividade. "O objetivo é ganhar competitividade diante dos desafios de um novo cenário para o mercado de impressão, que é a coexistência das impressoras digitais e dos sistemas offset como complementares", disse.
Rogério Camilo, gerente executivo da Abigraf, destacou as novidades para rótulos e etiquetas. "A Caravana Abigraf na feira All in Print trouxe uma oportunidade única de conhecer muita inovação na área de rótulos e etiquetas, como por exemplo aplicação de efeitos especiais cada vez mais modernos", afirmou. Ele citou ainda novidades em embalagem e acabamento, impressão inkjet de maior qualidade com equipamentos compactos, integração entre impressão e acabamento, uso de IA na indústria gráfica e CTPs mais modernos.
China como polo de tecnologia gráfica
Ricardo Coube, presidente do Sindigraf-SP, afirmou que a China confirmou seu status de polo de tecnologia gráfica. "Particularmente, a feira mostrou muito dessa tecnologia para a área de embalagem, label, cartonagem e impressão por folha, permitindo que nossos empresários se atualizem sobre as novidades do mundo gráfico", disse.
O que isso significa para o mercado brasileiro
A presença de uma delegação brasileira em Xangai reflete um movimento que já aparece no chão de fábrica dos convertedores nacionais: o avanço de equipamentos asiáticos no mercado de rótulos. O Grupo Furnax, distribuidor da fabricante chinesa Weigang no Brasil, informou ter comercializado 20 impressoras flexográficas da marca para convertedores brasileiros até o fim de 2025, sendo 16 delas em apenas 18 meses.
Para o convertedor brasileiro, os temas apontados pela caravana indicam onde estão as apostas dos fabricantes: automação, setup mais rápido, integração entre impressão e acabamento e a convivência entre digital e sistemas convencionais. Ao avaliar um investimento, seja em máquina nova importada ou em equipamento seminovo, vale considerar não só o preço, mas também assistência técnica local, disponibilidade de peças e treinamento da equipe.